Nosso desejo para Todos, é que no próximo ano estejamos bem! Bom início de 2014!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
A vida como valor
OPINIÃO
12/01/2013
A vida como valor
Albert Camus, escritor argelino do século passado, não via sentido na vida em face da morte, das doenças, das mais diversas situações de sofrimento, do mal irreparável e injustificável, por ser incoerente com a noção geralmente aceita de um mundo guiado por uma providência. Estávamos imersos no absurdo, ante o qual não restaria ao homem nada além de escolher entre o suicídio e a revolta, para, em seguida, descartar o suicídio como saída.
Camus viu o suicídio filosoficamente, mas o tema já foi abordado por várias disciplinas, como a sociologia, para a qual o fenômeno era próprio da vida em sociedade, uma constante, cuja variação era decorrente da maior ou menor gravidade de fatos sociais como guerras e revoluções, crises econômicas e outros. Uma porcentagem da população sucumbiria a tais infortúnios, em todos os tempos.
As religiões cristãs sempre viram no suicídio uma grave afronta a Deus, ao ponto de negarem aos suicidas nada menos do que a salvação, sua maior promessa aos fiéis. Em decorrência, ao longo da história negou-lhes também sacramentos como sepultamentos nos chamados campos santos. Com o florescimento do laicismo essas práticas foram abrandadas, sem contudo modificar os seus fundamentos.
O CVV, sigla de Centro de Valorização da Vida, instituição humanitária que atua na prevenção do suicídio há 50 anos no Brasil e 33 em Goiânia, encara a vida como valor e não como um simples fato da biologia, da sociologia, da antropologia ou até mesmo da psicologia. Também não pode encará-la exclusivamente do ângulo religioso ou da especulação filosófica. Sem negar que essas disciplinas, visões de mundo ou crenças são necessárias para dar conta do fenômeno humano, considera que elas não são suficientes. Em se tratando de ser humano, qualquer disciplina isolada, se ambicionar uma explicação total, parece sempre derivar para o reducionismo.
Para além das determinações naturais a que está submetido como qualquer ser vivo, o ser humano é dotado de particularidades muito específicas, pois encontra-se conscientemente imerso no drama de viver, o que resulta num mundo de emoção, conflito, desespero, mas também de esperança. Já se disse, com muita propriedade, que a distinção fundamental do humano deveria mudar, de racional, para simbólico. Mover-se num universo fluido de valores e símbolos e orientar-se por eles, parece, de fato, a nossa marca distintiva e inconfundível.
Um pai de família ou mesmo um jovem vestibulando que interromperam suas vidas pelo suicídio não fizeram uma escolha com base numa reflexão racional e fria sobre o sentido da vida, mas cederam ao emocional num momento de desespero, deixando para trás viúva, filhos e familiares desorientados e, por vezes, afetiva e materialmente desamparados. O gesto assume, dessa forma, imensa dramaticidade e desespero, assim como é quase sempre antecedido por comportamento ambivalente, que o leva a uma oscilação entre morrer e viver. É um drama humano, um gesto emocional e desesperado, que pode ser mudado a qualquer momento e não uma decisão racional.
Contrariando a crença de muitos, os suicidas, na sua grande maioria, não são portadores de algum tipo de doença mental, mas pessoas mentalmente sadias e momentânea ou temporariamente envolvidas em situações que julgam insuportáveis.
Comportamentos autodestrutivos podem ser potencializados com a aproximação de datas comemorativas como o Natal e o Ano Novo, datas em que as famílias se reúnem, o que pode infundir sentimento de exclusão entre aqueles que, ou não tem família ou convive mal com ela, elevando as tensões interiores e os sentimentos de solidão, tristeza e abandono. Muitos suicídios são atribuídos à depressão, que pode ser ocasional e não patológica, uma tristeza profunda mas passageira, podendo ser agravada nessas ocasiões comemorativas.
Para muitas pessoas que passam por um momento de depressão e têm esse sentimento suicida, o atendimento voluntário em instituições como o CVV é o único apoio. Neste caso, voluntários não profissionais ensejam uma interação baseada no respeito e na aceitação da diferença, na completa ausência de qualquer esforço no sentido de reduzir o outro ao mesmo.
Jesus José de Oliveira é fundador do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Goiânia
terça-feira, 25 de junho de 2013
Você está bem? Precisa de algo?
25/06/2013 - 11h21
Você está bem? Precisa de algo?
PUBLICIDADE
É possível prevenir o suicídio e um dos caminhos é abrir canais para que as pessoas falem sobre o desejo de morte.
Foi a principal mensagem de um debate promovido pela Folha neste mês, que teve a participação do psiquiatra José Manoel Bertolote, autor de "O Suicídio e sua Prevenção", a psicóloga Rosely Sayão e Robert Gellert Paris Junior, conselheiro do CVV (Centro de Valorização à Vida).
Uma das primeiras causas de morte em homens jovens nos países desenvolvidos e emergentes, o suicídio mata 26 brasileiros por dia. Nos últimos 25 anos, a taxa de suicídio aumentou 30% entre adolescentes e jovens.
Como mediadora do debate, fiquei impressionada como medidas aparentemente simples podem fazer uma enorme diferença, especialmente entre aqueles que já tentaram uma vez o suicídio e têm mais risco de tentar outras vezes.
Uma das medidas preconizadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é o treinamento de agentes de saúde ou comunitários para procurar a pessoa que tentou se matar e fazer apenas duas perguntas: Você está bem? Precisa de alguma coisa?
A seguir, editei parte do debate com as principais falas dos participantes.
ATO DE DESESPERO
José Manoel Bertolote:
"Há muita subnotificação de suicídio, muitos casos são registrados como acidente ou como intoxicação (quando a pessoa morre dias depois de ingerido substância tóxica, por exemplo).
São os rapazes que estão se matando cada vez mais. Mortes por suicídio sempre são mortes evitáveis, passíveis de prevenir. O suicídio é sempre um ato de desespero. Nem todo suicida quer morrer de fato. Ele quer mudar algo, fugir de uma situação e naquele instante não vê saída. Por que nesses últimos 25 anos aumentou tanto o número de jovens brasileiros que não querem mais viver? O que não veem mais pela frente, o que não enxergam que é preferível morrer?"
São os rapazes que estão se matando cada vez mais. Mortes por suicídio sempre são mortes evitáveis, passíveis de prevenir. O suicídio é sempre um ato de desespero. Nem todo suicida quer morrer de fato. Ele quer mudar algo, fugir de uma situação e naquele instante não vê saída. Por que nesses últimos 25 anos aumentou tanto o número de jovens brasileiros que não querem mais viver? O que não veem mais pela frente, o que não enxergam que é preferível morrer?"
MÍDIAS SOCIAIS
Rosely Sayão:
"O jovem do mundo atual está permanentemente conectado com o mundo público, não tem mais privacidade, intimidade. É uma confusão grande entre a vida pública e a privada. Tudo o que acontece, ele coloca na rede. Não tem condição de avaliar o tamanho de repercussão que terá de enfrentar. Nem sempre a comunicação significa troca.
Todos nós sabemos que para uma criança ou adolescente crescer, amadurecer, precisa enfrentar muitas crises. Mas hoje eles têm muitas dificuldades de enfrentar essas crises em ambiente protegido. Como ainda são muitos impulsivos, fazem coisas que depois se arrependem e a consequência é a ressaca emocional.
Os pais, em geral, não percebem esse perigo. É interessante observar que muitos deles não deixam o filho ir sozinho à praça da Sé, mas o deixa sozinho no ambiente virtual. achando que estão mais protegidos. Esses jovens estão disponíveis para colocar a intimidade ao mundo público, ao julgamento dos outros.
E as crianças são as próprias mães que as expõem ao postar fotos e comentários sobre os filhos. Não têm ideia do que estão provocando, ensinando o que não deveria ser ensinado. Intimidade a gente cuida, protege. Os jovens crescem sem esse ambiente protegido".
CVV PARA JOVENS
Robert Gellert Paris Junior:
"Há alguns anos, o CVV abriu um serviço de comunicação para os jovens. Hoje se tem uma quantidade enorme de comunicação, mas tudo é muito artificial na internet. A maioria dos jovens que nos procuraram (71%) tem menos de 30 anos e desses, 30% manifestaram desejo de morrer.
É bom porque o jovem achou uma maneira de falar o que incomoda, encontrou ambiente propício para isso. O serviço está crescendo bastante. O que os jovens buscam é falar sobre o que os incomodam, de mostrar suas fraquezas sem serem julgados. Muitas vezes, encontrar um canal para ser ouvido desarma a bomba, dá um alívio."
REFORMA PSIQUIÁTRICA
José Manoel Bertolote:
"Há muita carência de atendimento de pessoas que sofrem de transtornos mentais, que são potencialmente mais sujeitas ao suicídio. As evidências mostram que 98% das pessoas que morreram por suicídio tinham transtornos psiquiátricos como depressão (40% dos casos), alcoolismo e uso de drogas.
O país passou de 90 mil para 30 mil leitos psiquiátricos. A ideia da reforma psiquiátrica foi bem imaginada para acabar com os abusos, mas hoje não há atendimento suficiente. São raros os locais que recebem o paciente que já tentou o suicídio e o encaminha para outro um nível de complexidade. Isso não existe.
O único estudo público que envolveu jovens entre 15 e 19 anos, que morreram por suicídio, relevou que 30% tinham transtornos de conduta, confundidos com mau comportamento na escola, em casa. Esses jovens precisam de atendimento psiquiátrico e psicológico. Ao menos 15% dos casos estudados não se encontrou um diagnóstico psiquiátrico, agiram por impulsividade. A carência de psiquiatras infantis e de psicólogos clínicos nesta área é brutal."
ABANDONO DOS JOVENS
Rosely Sayão:
"Os jovens estão abandonados à própria sorte, abandonado pela família que está voltada para si. Ele disputa a juventude com todos nós, todo mundo quer ser jovem hoje. Está abandonado pela escola porque a escola está focada na questão do conhecimento, do conteúdo. Não há escuta, interesse verdadeiro por esse jovem. Isso mostra o absoluto despreparo para lidar com o adolescente, com a rebeldia, com a contestação. O jovem existe para isso. Por conta das contestações juvenis é que o mundo muda quase sempre para melhor.
A escola não tem comunicação com o jovem. Muitas até têm preocupação com a saúde biológica. Toda escola tem uma enfermaria. Os jovens até a usam muito para pedir remédio para ressaca, dor de cabeça. Mas não há preocupação com a saúde mental.
Às vezes, nem o próprio jovem percebe que está pensando em suicídio, temos que interpretar isso. Há uma quantidade enorme de jovens desafiando a morte em esportes radicais, dirigindo embriagado ou mesmo dirigindo em alta velocidade. Precisamos entender por que ele está querendo desafiar a morte?"
LEVAR A SÉRIO
Robert Gellert Paris Junior:
"Qualquer ameaça de suicídio deve ser levada a sério. Pode até ser ataquezinho de adolescente ou uma brincadeira, mas vale a pena levar a sério. Os jovens dão indícios importantes. Por exemplo, acidentar-se em um nível muito acima do normal, distribuir pertences, escrever mensagens cifradas ou simbólicas, expressar baixa auto-estima.
É preciso lembrar que para cada suicídio há 20 ou 30 tentativas anteriores. Se alguém já tentou o suicídio, há uma probabilidade muito maior de voltar a tentar. Se ele está chamando a atenção, vamos dar essa atenção, ele está pedindo, precisa disso.
Estabelecer essa proximidade pode ser a chance de ajudá-lo a recuperar a alegria de viver. O isolamento é o caminho mais curto. Pessoas isoladas têm um caldeirão interno, uma panela de pressão que não tem a válvula. Muita gente estabelece relação do suicídio a um fato recente, uma briga, uma desilusão amorosa. Mas antes disso, muita coisa aconteceu, e os indícios não foram levados a sério."
PREVENÇÃO
José Manoel Bertolote:
"Há algumas iniciativas no sentido de prevenir o suicídio. Em Botucatu, por exemplo, a prefeitura resolveu reorganizar a saúde mental e adota um pequeno protocolo para lidar com a situação. Em pessoas que chegam aos serviços de saúde com depressão ou alcoolismo, é perguntado se tem pensado em se matar. Se a resposta é afirmativa, um agente da saúde o leva para um psiquiatra para avaliação.
O suicídio começa com uma ideia vaga, que pode se cristalizar e se converter em decisão, que vira plano e que, por fim, vira tentativa.
Uma tentativa é um grande fator de risco. A OMS preconiza o seguimento da pessoa que tentou o suicídio. Quando liberado clinicamente, um agente de saúde ou comunitário faz contato com ela e diz que voltará a contatá-la dentro de uma semana. Nos melhores hospitais, depois da alta, há o encaminhamento para o psiquiatra. Estudos mostram que 40% das pessoas que tentaram se matar tentam de novo uma semana depois.
Esse modelo foi testado em oito países, inclusive no Brasil, em Campinas. Ao chegar à casa da pessoa, o agente fazia apenas duas perguntas: Como vai? Precisa de alguma coisa? Se a pessoa falasse que estava bem, o agente voltava na semana seguinte, depois quinzenalmente e, depois, mensalmente. O seguimento durou 18 meses.
Se respondesse que não estava bem, o agente ia atrás de médico, padre, benzedor, enfim, de alguém que pudesse intervir no processo. Houve uma redução importante em mortes por suicídio e, a partir disso, criou-se uma rede social de apoio artificial de baixíssimo custo. Funcionou muito bem para indivíduos que não tinham isso. As pessoas podem até ter família e amigos mas não enxergam que eles os escutam.
Em países nórdicos, onde o contato físico é mais difícil, mandava-se cartão postal. E funcionou também. A pessoa pensa: alguém nesse mundo pensa em mim, toma seu tempo.
Precisamos perder o medo do tabu e enfrentar o suicídio como uma questão grave e séria, que leva à morte. E fazer isso de forma competente."

Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros "Quero ser mãe" e "Por que a gravidez não vem?" e coautora de "Experimentos e Experimentações". Escreve às quartas, no site.
domingo, 16 de junho de 2013
Lançamento Cartilha de Prevenção ao Suicídio
Nossa proposta é conversarmos mais sobre suicídio com toda a sociedade, para isto produzimos um folheto com informações básicas, na forma de perguntas e respostas, baixe a partir da pagina a seguir e divulgue para todos que tiverem interesse! Abç
http://www.cvv.org.br/images/stories/saibamais/falando_abertamente_sobre_suicidio.pdf
quarta-feira, 29 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Casamento leva cada vez mais mulheres ao suicídio na Índia
Fenômeno está relacionado à opressão que elas sofrem no casamento
Agência EFE
Índia - O suicídio se tornou a principal causa de morte entre as mulheres abaixo dos 50 anos na Índia, um fenômeno que analistas estão relacionando à opressão que elas sofrem no casamento.
Ao contrário de outros países, as mulheres casadas se matam mais que as divorciadas e as viúvas no gigante asiático, onde o suicídio é a principal causa de morte de mulheres entre os 15 e os 49 anos: só em 2010, foram cerca de 78 mil, segundo o relatório Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors 2010 (Ônus Global de Doenças, Lesões e Fatores de Risco).
O estudo, realizado pelo Instituto de Saúde Métrica e Avaliação na Universidade de Washington e publicado recentemente, define as queimaduras como a segunda causa de óbitos.
Em terceiro lugar ficam as mortes provocadas pelo parto, que historicamente já foi a principal causa mortis de mulheres jovens indianas, mas que se reduziu nos últimos anos.
Para o psicanalista Sudhir Kakar, os dados refletem que "a causa dos suicídios de mulheres jovens é o casamento".
"Quando as mulheres se casam, atravessam um período muito duro, já que se mudam para a casa dos sogros, onde têm muito pouco apoio e passam a ocupar o nicho mais baixo", explicou à Agência Efe o psicanalista.
No país, a maioria dos casamentos é arranjada pelos pais e em muitos casos se mantém a estrutura da família estendida, com várias gerações vivendo sob o mesmo teto com uma hierarquia muito rigorosa.
Ranjana Kumari, diretora do Centro de Pesquisa Social de Nova Délhi, afirmou à Efe que "as meninas se casam muito novas e não estão preparadas para o casamento nem para a violência que em muitos acontece".
Um estudo recente da ONU aponta que 47% das mulheres na Índia têm casamentos arranjados por seus pais quando ainda são menores de idade, o que representa mais de 40% dos casos de casamentos infantis mundiais.
"Além disso, não podem partilhar seus problemas com ninguém. Estão sozinhas", disse a ativista, que acredita que "há uma total falta de apoio perante os problemas mentais".
Kumari também considerou o dote uma das causas que levam uma mulher a se suicidar, diante do assédio que sofrem por parte das famílias para que paguem mais e para evitar arruinar seus pais.
Na Índia, as mulheres são obrigadas a pagar ao namorado e a sua família um dote, uma prática proibida por lei, mas que se acentuou com a chegada da modernidade e o consumismo e cada vez se exigem quantias maiores, que podem incluir carros e apartamentos.
Uma investigação da London School of Hygiene and Tropical Medicine (Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres) publicada na revista médica "The Lancet" também aponta o casamento como uma das causas de suicídios de mulheres indianas.
O relatório afirma que as viúvas e divorciadas são menos propensas a se suicidar na Índia, ao contrário dos países ocidentais, onde as mulheres casadas se suicidam menos.
Os contrastes não acabam aí, já que o estudo afirma que nos países desenvolvidos os homens se suicidam três vezes mais que as mulheres, enquanto na Índia a diferença cai para uma vez e meia a mais.
Além disso, na faixa entre 15 e 29 anos, quando acontecem 56% dos suicídios femininos, os números de indivíduos homens e mulheres são semelhantes, o que não acontece em outros países.
As estimativas de suicídios femininos dos estudos internacionais dão dados superiores aos oficiais indianos, que situam em 64.607 o número de mulheres que se mataram em 2010.
A diferença se atribui a que as famílias denunciam em muitos casos os suicídios como acidentes para evitar a vergonha social e porque na Índia a tentativa de suicídio está criminalizada.
A ingestão de pesticidas é o método usado em quase metade dos suicídios na Índia, que tem uma das taxas mais altas de suicídio no mundo, por ser altamente letal.
Ao contrário de outros países, as mulheres casadas se matam mais que as divorciadas e as viúvas no gigante asiático, onde o suicídio é a principal causa de morte de mulheres entre os 15 e os 49 anos: só em 2010, foram cerca de 78 mil, segundo o relatório Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors 2010 (Ônus Global de Doenças, Lesões e Fatores de Risco).
O estudo, realizado pelo Instituto de Saúde Métrica e Avaliação na Universidade de Washington e publicado recentemente, define as queimaduras como a segunda causa de óbitos.
Em terceiro lugar ficam as mortes provocadas pelo parto, que historicamente já foi a principal causa mortis de mulheres jovens indianas, mas que se reduziu nos últimos anos.
Para o psicanalista Sudhir Kakar, os dados refletem que "a causa dos suicídios de mulheres jovens é o casamento".
"Quando as mulheres se casam, atravessam um período muito duro, já que se mudam para a casa dos sogros, onde têm muito pouco apoio e passam a ocupar o nicho mais baixo", explicou à Agência Efe o psicanalista.
No país, a maioria dos casamentos é arranjada pelos pais e em muitos casos se mantém a estrutura da família estendida, com várias gerações vivendo sob o mesmo teto com uma hierarquia muito rigorosa.
Ranjana Kumari, diretora do Centro de Pesquisa Social de Nova Délhi, afirmou à Efe que "as meninas se casam muito novas e não estão preparadas para o casamento nem para a violência que em muitos acontece".
Um estudo recente da ONU aponta que 47% das mulheres na Índia têm casamentos arranjados por seus pais quando ainda são menores de idade, o que representa mais de 40% dos casos de casamentos infantis mundiais.
"Além disso, não podem partilhar seus problemas com ninguém. Estão sozinhas", disse a ativista, que acredita que "há uma total falta de apoio perante os problemas mentais".
Kumari também considerou o dote uma das causas que levam uma mulher a se suicidar, diante do assédio que sofrem por parte das famílias para que paguem mais e para evitar arruinar seus pais.
Na Índia, as mulheres são obrigadas a pagar ao namorado e a sua família um dote, uma prática proibida por lei, mas que se acentuou com a chegada da modernidade e o consumismo e cada vez se exigem quantias maiores, que podem incluir carros e apartamentos.
Uma investigação da London School of Hygiene and Tropical Medicine (Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres) publicada na revista médica "The Lancet" também aponta o casamento como uma das causas de suicídios de mulheres indianas.
O relatório afirma que as viúvas e divorciadas são menos propensas a se suicidar na Índia, ao contrário dos países ocidentais, onde as mulheres casadas se suicidam menos.
Os contrastes não acabam aí, já que o estudo afirma que nos países desenvolvidos os homens se suicidam três vezes mais que as mulheres, enquanto na Índia a diferença cai para uma vez e meia a mais.
Além disso, na faixa entre 15 e 29 anos, quando acontecem 56% dos suicídios femininos, os números de indivíduos homens e mulheres são semelhantes, o que não acontece em outros países.
As estimativas de suicídios femininos dos estudos internacionais dão dados superiores aos oficiais indianos, que situam em 64.607 o número de mulheres que se mataram em 2010.
A diferença se atribui a que as famílias denunciam em muitos casos os suicídios como acidentes para evitar a vergonha social e porque na Índia a tentativa de suicídio está criminalizada.
A ingestão de pesticidas é o método usado em quase metade dos suicídios na Índia, que tem uma das taxas mais altas de suicídio no mundo, por ser altamente letal.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
2 mil portugueses cometem suicídio por anoEnviado por luisnassif, sex, 15/03/2013 - 14:30
Por FabioREM
Do Expresso
Mais de 60 mil europeus morrem anualmente por suicídio. Em Portugal são dois mil por ano.
Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, estimando-se que morram mais de cinco pessoas por dia, revela um relatório europeu que é hoje apresentado.
Os dados constam do projeto OSPI-Europe, uma estratégia de prevenção do suicídio preconizada pela Aliança Europeia Contra a Depressão (EAAD), organizada em quatro níveis de intervenção.
Segundo o mesmo documento, estima-se que cerca de 20 milhões de europeus sofrem de depressão e mais de 60 mil morrem anualmente por suicídio.
Em Portugal, as doenças mentais comuns afetam quase 23 por cento dos portugueses adultos (mais de dois milhões por ano) e a depressão afeta 7,9 por cento dos adultos (400 mil pessoas), sendo o suicídio uma complicação médica resultante destas perturbações mentais, em particular da depressão.
Em Portugal, morrem por ano cerca de duas mil pessoas por suicídio, sendo mais de mil registadas como suicídio e outras tantas como mortes violentas indeterminadas, estimando-se que mais de 75 por cento destas sejam suicídios escondidos.
Nos últimos 15 anos, registou-se uma tendência para o aumento do suicídio no país. Na Europa, além de Portugal, este fenómeno de aumento só se verifica em Malta, na Islândia e na Polónia.
O suicídio de cada português tem um custo "muito elevado, considerando custos diretos, indiretos e custos humanos intangíveis". Estes últimos correspondem a 85 por cento do custo, pelo que 300 mil euros dizem respeito a custos diretos e indiretos.
Modelo para reduzir suicídios
Para fazer face a esta realidade, o EEAD desenvolveu um modelo (OSPI-Europe), testado e documentado, "com evidência científica" de redução de suicídio nas regiões onde foi aplicado.
O modelo de quatro níveis caracteriza-se por uma intervenção comunitária que tem como alvo os cuidados de saúde primários, a população em geral, os recursos comunitários locais (como padres, professores, polícia ou media) e serviços e cuidados específicos (como os grupos de autoajuda).
O elemento principal deste projeto é a transmissão de conhecimento, através de sessões de formação, e tem como finalidade apresentar recomendações aos decisores políticos de saúde, de forma a que adotem medidas de prevenção do suicídio com base científica.
Esta estratégia foi aplicada na Alemanha, na Hungria, na Irlanda e em Portugal, com o objetivo de se obter a sua validação científica.
Projeto-piloto reduz mortes na Amadora
Em Portugal, o projeto-piloto foi no concelho da Amadora e a 'região controlo' foi o concelho de Almada, tendo sido formados profissionais de saúde, assistentes sociais, polícias, padres, farmacêuticos e professores.
Em termos de resultados, as taxas de tentativa de suicídio diminuíram, dois anos depois do início do projeto, de 150 para 115 por 100 mil (menos 23,3 por cento) na Amadora. Já em Almada verificou-se um aumento de 122 para 138 por 100 mil (mais 13,1 por cento).
"Em números absolutos, foi observada uma redução de 18,05 por cento na Amadora em relação a Almada", refere o documento.
A EEAD pretende que a estratégia nacional de prevenção do suicídio consiga reduzir a taxa de suicídio em 15 por cento até 2017 e que o suicídio passe a ser encarado como uma complicação médica, que pode ser prevenida, acabando com o estigma associado a este tipo de morte e à depressão.
O estudo OSPI-Europe - "Otimização de Programas de Prevenção do Suicídio e sua Implementação na Europa", financiado pelo 7.º Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento da Comissão Europeia, teve inicio em Outubro de 2008 e termina no dia 30 de Março.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Editorial do Boletim de Março 2013
Olá Amigos e Seguidores!
estamos iniciando uma nova fase do Boletim do CVV neste blog, colocaremos assuntos relacionados aos textos do boletim que podem ser complementares ou partes do Boletim.
Esperamos que vcs gostem e nos acompanhem!
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